Mais uma vez e sempre, pergunte ao Lipi, fale com a Força Tarefa, nuncase sinta só.

Bom dia amigos leitores

Revendo alguns comentários para a moderação das publicações, algo a que fui obrigado pelo crescimento do nosso espaço, deparei-me com um desabafo de uma mãe, extremamente ansiosa.
Como todas as pessoas que um dia receberam a notícia de uma gravidez ou de um filho portador de alguma malformação congénita, esta mãe sentiu-se perdida, desamparada. A angústia que surge e cresce perante o desconhecido é comum a todo ser humano. Mas quando isso refere-se a um filho, então o sentimento ainda aumenta de proporções. Até aqui, podem pensar: verdades de “la palisse”.
Na verdade não é. Todos nós, sentimo-nos passar pelos nossos problemas e dúvidas, como se eles fossem de facto inéditos, como se nunca ninguém o tivesse vivido e ou tenha possibilidade de nos compreender. É natural. O nosso é o maior problema do mundo, por ser nosso. Ninguém pode medir a dor de alguém por comparação com um terceiro. Cada qual tem a sua escala própria de capacidade de suportar, de tolerância, de resistência e de resiliência.
A notícia da entrada neste mundo de tratamentos que a presença da fenda lábio palatina prenuncia, aproxima-nos a todos de um tema sempre complexo no imaginário colectivo. A cirurgia.
Para o bem e para o mal, doravante esta palavra passa a pairar sobre as cabeças de todos os envolvidos. Por vezes como a porta de entrada das soluções, outras como porta de entrada do medo.
Por vezes, os desvios alucinógenos da nossa imaginação, prega-nos partidas e leva-nos a crer que um dia, virá uma cirurgia “redentora”. A porta da felicidade, que uma vez transposta, deixará para trás, todos os problemas e dificuldades. Uma cirurgia após a qual, tudo passará apenas a ser uma ténue  recordação de um percalço passado. Lamento destruir os sonhos de alguns ávidos leitores, mas tal utopia, não existe. Aqui, como em todos os casos, à excepção do dicionário, o sucesso virá depois de muito trabalho. Só no dicionário o sucesso vem antes do trabalho.
A leitura de todo o nosso blog, ainda que longa (já temos algumas histórias contadas), permite aos “viajantes” ter algumas informações mais técnicas, outras mais pessoais. Mas a vida é mesmo assim. E a internet, esse manancial inesgotável de informações, está repleta de tudo. Coisas úteis e prestáveis, coisas inúteis e nocivas, coisas acessíveis e coisas herméticas. O que procuramos com o nosso blog é trazer informação com filtros. Sem contudo, deixar de falar o que deve ser dito e sabido.
Temos testemunhos de pais, temos opiniões, mas também artigos científicos. É exactamente aqui, nos artigos científicos, que precisamos ter muito cuidado com a leitura. Se para os profissionais que nos visitam, estes são muito úteis, para os pais, mães e portadores, eles podem conter informações que mal interpretadas, poderiam suscitar alarme e pânico! Calma! Amigos, os artigos científicos, muitas vezes apresentam números e estimativas. Probabilidades. Quando um artigo diz que há X% de probabilidades, não é uma sentença. E todos os dados, são referentes a um tempo passado. O artigo baseia-se em dados recolhidos antes de ter sido escrito, obviamente. Logo, por vezes, a ciência com sua evolução a todos os níveis, pode ter alterado esses resultados, mas os novos números terão que ser reunidos e estudados. Só daqui a algum tempo, estarão referidos nos estudos! Além do mais, nunca se esqueçam que a probabilidade de um casal ter um filho de qualquer género é de 50%! O facto é que eu tenho duas filhas! Quantos casais conhece que tem mais de um filho e todos do mesmo género? Onde ficou a “probabilidade”? Exactamente no seu lugar: na probabilidade.
Espero com esse post, dar resposta a algumas questões mais transversais que recebo pelas diversas vias de contacto que temos. O Lipi recebe as vossas mensagens e as distribui pelos colegas do grupo. O nosso mail está permanentemente à disposição.
Então para finalizar, e respondendo a outra questão, vem sempre a frase: “ó Sr. Dr., mas os senhores tratam o problema, não passaram por ele. Não sentem o que nós sentimos. Não tem as nossas dúvidas e medos.”
Para isso, tenho duas coisas a dizer. Primeira: o Lipi é um coelho! (Já pensaram por que razão se diz “lábio leporino?). Segunda: queria recordar a todos que a Força Tarefa é constituída por um grupo de pais e mães, de crianças portadoras de fenda lábio palatina. Esse grupo de voluntários, recebe de braços e corações abertos, todos os papás e futuros papás, que estejam a começar agora, uma trajectória que eles conhecem muito de perto. O mail deles é [email protected] .
Dito isso, amigos, só se sentirão sós, se quiserem a solidão. Mas olhe que não é boa companheira. A união faz a força e estamos todos juntos, na tarefa permanente de vos ajudar.
Sempre prontos!
Bem hajam
Rowney Furfuro